Concreto Auto-Regenerável: Estruturas que se Reparam Sozinhas
Bactérias incorporadas ao concreto produzem calcário para fechar fissuras.
Introdução
O concreto auto-regenerável incorpora esporos de bactérias que produzem carbonato de cálcio.
Princípio Científico
O concreto auto-regenerável incorpora esporos de bactérias do género Bacillus (como B. pseudofirmus e B. cohnii) e um substrato nutritivo (lactato de cálcio) encapsulados em microcápsulas de argila expandida. Quando surgem fissuras, a água penetra, ativa os esporos dormentes, e as bactérias metabolizam o lactato, produzindo carbonato de cálcio (CaCO₃) que preenche as fissuras. O processo é autónomo e pode selar fissuras de até 0,8 mm.
Aplicações Atuais
A empresa Basilisk (Holanda) comercializa aditivos bacterianos para concreto desde 2020, aplicados em viadutos e parques de estacionamento. No Reino Unido, a Universidade de Bath testou concreto auto-regenerável no túnel de Crossrail. Em Portugal, a Universidade do Minho aplicou o conceito em estruturas costeiras sujeitas a ambientes agressivos com sal marítimo.
Investigação Académica
O professor Henk Jonkers, da TU Delft, é o pioneiro mundial do concreto auto-regenerável. No espaço lusófono, investigadores da UFRJ desenvolveram uma variante tropical utilizando bactérias termófilas adaptadas ao clima brasileiro.
Conclusão
O concreto auto-regenerável tem o potencial de dobrar a vida útil de infraestruturas como pontes, túneis e barragens, reduzindo drasticamente custos de manutenção e o impacto ambiental da produção de cimento. Com o amadurecimento da tecnologia e redução de custos dos aditivos bacterianos, espera-se adoção generalizada até 2030.