Eficiência Energética em Elevadores: Normas e Classificação
A classificação energética de elevadores segundo a norma ISO 25745 e a diretiva europeia de eficiência energética está a transformar o modo como projetamos e operamos sistemas de mobilidade vertical.
Introdução
A eficiência energética em elevadores tornou-se um tema central na engenharia de edifícios sustentáveis. Os elevadores representam entre 3% a 8% do consumo total de energia de um edifício comercial, e em edifícios de grande altura este valor pode ultrapassar os 10%. Com a crescente pressão regulamentar e a procura por certificações ambientais como LEED e BREEAM, a otimização energética dos sistemas de transporte vertical deixou de ser uma opção para se tornar um requisito de projeto. A norma internacional ISO 25745, publicada em três partes entre 2012 e 2015, estabeleceu pela primeira vez uma metodologia padronizada para medir e classificar o desempenho energético de elevadores, criando um sistema de classes de A a G análogo ao utilizado em eletrodomésticos. Esta norma considera tanto o consumo em operação (running energy) como o consumo em standby, reconhecendo que elevadores em edifícios residenciais passam até 95% do tempo parados.
Princípio Científico
A classificação energética de elevadores baseia-se na medição de dois parâmetros fundamentais: a energia específica de operação (kWh por kg transportado por metro de deslocamento) e a potência consumida em standby. A ISO 25745-2 define sete classes de eficiência (A a G) para cada parâmetro, e a classe final do elevador é determinada pela combinação de ambas. O consumo em operação depende da eficiência do motor, do sistema de controlo, da massa da cabina e do contrapeso, e das perdas nos cabos e guias. Os elevadores regenerativos — equipados com inversores capazes de devolver energia à rede elétrica durante a descida com carga e a subida em vazio — podem reduzir o consumo energético em 30% a 40% face aos sistemas convencionais. A potência em standby inclui a iluminação da cabina, os controladores, os displays de piso e os sistemas de comunicação. A norma EN 81-20 exige iluminação LED com desligamento automático, mas muitos sistemas mais antigos mantêm lâmpadas incandescentes ou fluorescentes permanentemente ligadas.
Aplicações Atuais
Na prática europeia, a implementação da classificação energética de elevadores tem impacto direto nos custos operacionais e na certificação ambiental de edifícios. Em Portugal, a legislação de desempenho energético de edifícios (SCE) já incorpora o consumo dos sistemas de elevadores no cálculo do certificado energético, incentivando a instalação de equipamentos de classe A. Os elevadores modernos com tecnologia MRL, motores gearless e iluminação LED atingem tipicamente classes A ou B, enquanto instalações mais antigas com motores de corrente contínua ou sistemas hidráulicos frequentemente ficam nas classes E a G. A modernização energética de elevadores existentes — substituindo motores, controladores e iluminação — pode reduzir o consumo em 50% a 70%, com períodos de retorno do investimento de 3 a 7 anos dependendo da intensidade de utilização. A modernização de elevadores em Portugal tem sido impulsionada tanto pela regulamentação europeia como pela crescente consciência ambiental dos proprietários de edifícios.
Investigação Académica
A investigação em eficiência energética de elevadores abrange desde o desenvolvimento de novos materiais magnéticos para motores até algoritmos de otimização de tráfego que minimizam o número de viagens em vazio. O Instituto Superior Técnico (IST) em Lisboa tem contribuído com estudos sobre a integração de elevadores regenerativos em micro-redes de edifícios, demonstrando que a energia regenerada pode ser utilizada por outros sistemas do edifício. A Universidade de Coimbra investiga o impacto de estratégias de sleep mode nos controladores de elevadores residenciais, com resultados que mostram reduções de até 80% no consumo em standby. No contexto internacional, o projeto E4 (Energy Efficient Elevators and Escalators) financiado pela União Europeia desenvolveu uma base de dados de desempenho energético de elevadores em 16 países, revelando um potencial de poupança de 8 TWh/ano na Europa através da modernização do parque instalado.
Conclusão
A eficiência energética em elevadores é um campo em rápida evolução, impulsionado pela convergência de regulamentação ambiental, inovação tecnológica e pressão de mercado. A adoção generalizada da norma ISO 25745 e a sua integração na legislação nacional de vários países europeus criaram um enquadramento claro para a avaliação e melhoria do desempenho energético dos sistemas de transporte vertical. O futuro aponta para elevadores de energia líquida zero, combinando regeneração, armazenamento local e gestão inteligente de tráfego.
Referências Científicas
- EN ISO 25745-2:2015+A1:2023 — Desempenho energético de ascensores: cálculo e classificação energética (classes A-G) — CEN/ISO (adotada em Portugal pelo IPQ como NP EN ISO 25745-2) · 2015 · European/International Standard (EN ISO 25745-2:2015+A1:2023)
- ISO 25745-2:2015 — Energy performance of lifts, escalators and moving walks — ISO/TC 178 · 2015 · International Organization for Standardization
- Energy Efficiency in Elevators: A Review of Classification Methods — Nipkow, J.; Schalcher, M. · 2017 · Energy and Buildings DOI: 10.1016/j.enbuild.2017.03.045
- E4 Project: Energy Efficient Elevators and Escalators — Final Report — Almeida, A.T. et al. · 2010 · European Commission — Intelligent Energy Europe